Tenha uma sombra para chamar de sua

Jung dizia que ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas por tornar consciente a escuridão. Ele percebeu a necessidade de aceitar a parte obscura de nós na busca para o maior entendimento de quem somos.

Quando crianças, percebemos que certas atitudes desagradam nossos pais, e para mantermos o amor deles, colocamos algumas facetas nossas em compartimentos bem escondidos de nossa personalidade, assim vamos moldando nosso ego. Dando continuidade ao processo, na adolescência, ainda somos influenciados pelo ambiente externo, mas agora a referência é o grupo que queremos aceitação, e novamente, para não estarmos em desacordo com esse, muito do que a gente é fica jogado no “porão”.

Quando mantemos nossa sombra muito soterrada é possível que quando acessada ela venha de maneira muito hostil e nos domine por completo.

Na literatura e no cinema temos muitos exemplos do confronto humano com a sombra. No filme “Cisne Negro”, mostra a bailarina perfeita que quando é confrontada com sua parte sombra é devorada por ela. Na obra de terror psicológico “O Médico e o Monstro” ou com o personagem Hulk, também vemos o retrato do tema.

Outra hipótese para na recusa da sombra é a projeção. No antigo testamento narra-se o rito do dia da expiação, onde escolhiam um bode que levaria consigo todos os pecados do povo de Israel. É comum vermos hoje em dia pessoas buscando “bodes expiatórios” para projetarem sua sombra.

Na nossa sociedade temos muita influência das religiões maniqueístas, no qual o conceito de bem e mal, Deus e o diabo, luz e escuridão são coisas que jamais poderiam caminhar sobrepostas. Talvez venha daí a dificuldade de algumas religiões assumirem o mal que alguns dos seus representantes fizerem para a humanidade e buscarem retratação.

Mas a sombra não é apenas a parte nebulosa e moralmente condenável da nossa psique, é também uma parcela nossa que deixamos para lá em detrimento do nosso ego ideal. Portanto, por não ser um lugar comum, é onde que se revisitado podemos encontrar os nossos maiores tesouros ocultos.

Quanto mais essa parte estiver integrada mais saudável a pessoa se tornará. Ter medo da própria sombra é deixar de caminhar para as grandes potencialidades da vida, é a recusa do amadurecimento, e se distanciar de quem genuinamente somos. Então quando olhar para ela, a reconheça como sua. 

Produtora e Semioticista escreve em momentos ocasionais para dialogar com a vida e encontrar almas afins.

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Post Author: Maisa Lambert

Maisa Lambert
Produtora e Semioticista escreve em momentos ocasionais para dialogar com a vida e encontrar almas afins.

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