O que aprendi através dos meus medos e da minha insegurança  

“Às vezes, o que você tem mais medo de fazer é o que o libertará.” – Robert Tew

Eu quero que você imagine o seguinte: você está de pé em uma montanha, e na sua frente está uma montanha ainda mais alta com uma visão muito mais bonita. Entre as duas montanhas existem 100 mil pés de distância, um rio e um caminho para baixo cheio de pedras irregulares. Você sabe que você precisa chegar à essa outra montanha e que a única maneira de fazer-lo é pular, mas por algum motivo, você não consegue se mexer. 

É com isso que um momento de transição se parece, principalmente quando você tem que fazer grandes avanços em territórios novos e inexplorados. 

Recentemente, me encontrei nesta posição, paralisada pelo medo. Para ser completamente honesta, eu nem estava pensando direito – eu estava preocupada e colocando toda essa pressão sob mim mesma para fazer um movimento, para agir. O pior é que, em tempos de transição, parece que você está sendo verdadeiramente testado. 

Meus amigos estavam seguindo suas vidas, se casando, mudando de país, tendo filhos. De repente, as reuniões sociais que eram frequentes entre nós se transformaram em meros check-ins mensais. 

Fiquei confusa quanto a como tinha chegado até ali. Esperava poder olhar ao meu redor, esperando que alguém aparecesse e se tornasse uma fonte de entretenimento mas isso nunca aconteceu e eu me vi sozinha. 

No começo, não tomei isso como uma benção mas como uma punição. Eu queria me distrair porque, se eu estivesse distraída, eu não teria que pensar sobre tudo o que estava por vir. Eu não teria que enfrentar o meu medo de estar sozinha. Por sorte, o universo tinha outros planos. 

Quando comecei a estar sozinha, minhas inseguranças e dúvidas surgiram para me fazer companhia. Eu estava constantemente falando para mim mesma que eu não era digna, que não era boa o suficiente, e que não era forte o bastante para fazer essa transição. Eu duvidava das minhas capacidades e de tudo que tinha conquistado ate ali. 

Eu me comparava com outros que pareciam estar mais adiante em seu caminho de vida. Me tornei uma pessoa invejosa e sentia raiva de não estar tão bem sucedida quanto os outros ao meu redor. Me ressentia porque acreditava que não tinha valor o suficiente. 

A transição bagunça a sua vida, tanto externamente quanto internamente. Eu pensei que estava bem resolvida com essa questão de estar sozinha, mas cá estava eu, confundindo estar sozinha com solidão. Eu pensei que estava confiante e segura de mim mesma, mas cá estava eu, questionando o fundamento que eu mesma tinha construído. Eu brigava comigo mesma e me tornei paralisada sem conseguir caminhar em direção da vida que eu desejava ter. 

Um dia, enquanto eu sentava no sofá da minha sala e bebia um café, pensei no que eu estava reprimindo – em tudo o que eu não queria admitir. Depois de fazer uma profunda auto-reflexão, percebi que haviam várias coisas que eu precisava aceitar. Elas eram as seguintes: 

1. Eu estava com medo 

Eu não tinha certeza e ainda não tenho certeza se o caminho que estou trilhando é seguro ou promissor. É o desconhecido, mas, admitir para mim que estava com medo fez com que eu imediatamente me sentisse mais leve porque não estava mais desperdiçando o tempo convencendo-me de que não tinha medo. 

2. Eu não tenho controle de tudo

Eu tive que me convencer de que transições não acontecem do dia pra noite; elas acontecem ao longo de dias, meses, até anos. Tenho muito tempo para descobrir, explorar, criar e decidir qual será a minha transição e como irei chegar até lá. 

3. Eu estava no meio 

No meio, você não está nem aqui nem la. Você está apenas no meio. Pense como se você estivesse pairando no espaço entre duas montanhas. Eu costumava odiar essa ideia, justamente porque eu não estava no controle. No entanto, com toda sinceridade, você nunca está realmente no controle. É preciso confiar em si mesmo, confiar no universo. 

A parte bonita sobre o intermediário é que ele te dá tempo para fazer um plano e levá-lo à diante. Dar pequenos passos todos os dias me mostrou que eu estava caminhando ativamente em direção da montanha que eu precisava subir. Eu projetei um plano que era gerenciável, algo que me impedia de ficar imobilizada novamente. Isso fez com que o caminho se tornasse menos assustador. 

4. Meus pensamentos poderiam ser minha prisão ou minhas asas

Eu luto contra isso diariamente e eu falho muito nisso também. É difícil apagar hábitos de pensamentos negativos e substituí-los por positivos. E se por cima você adicionar o peso de suas inseguranças e dúvidas, parece uma façanha impossível.      

O que tem me ajudado é aceitar cada momento como ele vier. Em um momento, eu posso estar completamente bem. No próximo, eu posso estar chateada. Nesses momentos difíceis, eu me lembro de parar e respirar. 

Eu respiro através daquela voz interna que fala alto e julga, eu reconheço a presença dela dentro de mim. Eu então digo a mim mesma que, não importam quais sejam as circunstancias, eu sou amada, estou protegida e segura. As vezes isso funciona e outras vezes não. O objetivo aqui é que eu não tenho uma solução clara para essa questão; eu lido com ela um dia de cada vez. 

Quando se trata de apreciar a minha solidão, adquiri o habito de não ficar perto de ninguém quando estou me sentindo ansiosa ou quando sinto que preciso de companhia para estar bem comigo mesma. Ao invés disso, eu fico comigo mesma e juntamente com essa sensação de desconforto faço alguma atividade na qual eu possa absorver tudo o que estou sentindo. Como ler, meditar ou escrever. Ao fazer isso, eu realmente passo tempo comigo mesma, por mim e para mim. 

Nem toda transição vai ser igual e não vai trazer a tona os mesmos problemas ou as mesmas ideias. Independente de como for a sua, lembre-se de que a mudança é a única constante e que a transição faz parte disso. Devemos abraçá-la, mesmo que isso seja difícil. 

Ao fazer isso, enfrentamos nós mesmos e reconhecemos as áreas em que precisamos crescer, as áreas em que somos fortes e as que nem mesmos sabíamos que existiam. Nós nos ajudamos à encontrar uma cura por completo, para que quando finalmente decidirmos dar aquele salto, não ficamos com medo do saber se vamos ou não conseguir chegar ate o outro lado.  

Simplesmente caminhar em frente, mesmo que devagar, aprendendo à apreciar o que está ao nosso redor naquele exato momento. Entendendo que, estes momentos, bons e ruins, são os que constroem o nosso caráter e contribuem para a nossa força mental e física em momentos de transição. 

Sou Mineira nata que ama pao de queijo e cafe. Gosto de tudo quanto e’ musica que me faz sentir alguma coisa, desde Incubus à Henrique e Juliano. Coleciono canecas e livros, deixo de comprar sapatos para comprar passagens de avião e curto uma cervejinha e um jogo de futebol. Sou Relações Públicas de dia e aspirante ‘a escritora durante todas as outras horas. A constante busca pelo auto-conhecimento através da espiritualidade me trouxe ate aqui: com vontade de transformar meus tropecos, error e acertos em palavras no papel.

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Post Author: Ana Carolina DaMata

Sou Mineira nata que ama pao de queijo e cafe. Gosto de tudo quanto e' musica que me faz sentir alguma coisa, desde Incubus à Henrique e Juliano. Coleciono canecas e livros, deixo de comprar sapatos para comprar passagens de avião e curto uma cervejinha e um jogo de futebol. Sou Relações Públicas de dia e aspirante 'a escritora durante todas as outras horas. A constante busca pelo auto-conhecimento através da espiritualidade me trouxe ate aqui: com vontade de transformar meus tropecos, error e acertos em palavras no papel.

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